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2017: o ano de uma nova caminhada em Moçambique?

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Não há dúvidas de que 2016 foi um ano adverso. Tanto ao nível nacional como internacional, desde a tensão político-militar, passando pela depreciação cambial em Moçambique; a difícil gestão da dívida pública, passando pelas tensões económicas e políticas em alguns países do continente africano, as situações na Ucrânia e na Síria, o impeachment à Presidenta Brasileira Dilma Rousseff; o escândalo de corrupção que foi descoberto através de 11,5 milhões de documentos, denominado “Panamá papers”; as eleições norte americanas que elegeram Donald Trump numa eleição Disputada com a Democrata Hillary Clinton, dentre outros.

O que é que 2017 pode nos trazer ?

2017 é um ano que remete-nos à esperança de um Moçambique a reerguer-se das adversidades que caracterizaram os últimos dois anos, 2015 e 2016.  Vislumbra-se a estabilidade política e económica com base nas acções mais recentes levadas ao cabo pelos principais actores políticos, económicos e governamentais moçambicanos. O Presidente da República Filipe Nyusi demonstrou ao nível pessoal, um assinalável engajamento em questões sensíveis do país, tanto no campo político assim como económico.

As expectativas sobre 2017 podem gerar efeitos sociais positivos no país, desde que estas sejam transformadas em acções concretas que beneficiem os cidadãos. Um outro grande acontecimento de destaque para 2017 é sem dúvida o 11º Congresso do Partido FRELIMO a ter lugar em Setembro, que poderá marcar a viragem efectiva do ciclo político moçambicano.

Partilho de seguida algumas das minhas previsões:

  • O ano da retoma económica: 2017 pode ser um ano de retoma económica e financeira, os últimos dois meses de 2016 mostraram uma ligeira recuperação do metical em face das principais moedas e sinais por parte do governo moçambicano em dar passos concretos relativamente à sua cooperação com os parceiros internacionais, com destaque para o FMI, na racionalização da despesa pública, na resolução da questão da dívida e na prossecução de projectos de desenvolvimento económico e social. Há uma maior consciência da necessidade de incrementar a produção e reduzir a dependência externa e ainda de olhar para a AGRICULTURA do ponto de vista mais prático e tangível.
  • O ano da possível Paz efectiva: É evidente a vontade pessoal, tanto do Presidente da República, Filipe Nyusi, assim como do líder da Renamo, Afonso Dhlakama, em dar passos concretos rumo à paz efectiva em Moçambique. Nos primeiros dias do mês de Janeiro de 2017 houve conversas entre os dois que culminaram em cessação de hostilidades que poderão prolongar-se até Março de 2017 e permitir maior diálogo político entre as partes. No entanto é crucial o envolvimento directo e permanente do Presidente da república e do líder da Renamo neste processo pois constata-se que é um factor de produção de resultados concretos.
  • O ano do 11º congresso FRELIMO: sempre que a FRELIMO reúne-se em Congresso Moçambique concentra as suas atenções políticas para este grande evento de viragem e transformação no ciclo político Moçambicano. A FRELIMO sob liderança do Presidente Filipe Nyusi tem a oportunidade de consolidar a sua coesão interna e definir a postura que o próprio partido pretende adoptar na sua actuação, na governação e na sociedade em geral dada a actual conjuntura política, económica e social que caracteriza Moçambique. Também é uma oportunidade para que o Partido se organize melhor na sua estrutura e composição dos seus órgãos para fazer face aos desafios eleitorais que se avizinham.
  • Ano da consolidação do uso das redes sociais e TICs: Em 2017 o poder da mídia global continuará a desfavorecer às emissoras tradicionais e prestadores de notícias a favor do Google, Facebook, twitter, whatsapp, outras redes sociais e outros gigantes online. Provavelmente se registe uma maior pressão política, pelo menos nas grandes cidades, para controlar o fluxo de notícias “falsas” e desinformação que tende a crescer nestas redes sociais. Provavelmente as vendas impressas de jornais continuarão a declinar, e podemos esperar que publicações mais prestigiosas sigam o caminho de jornais como o jornal @Verdade, que se tornaram apenas digitais. Moçambique terá de investir um pouco mais para alcançar um maior domínio cibernético e para se proteger adequadamente.

Em suma vale a pena sublinhar que Decisões técnicas produzem resultados técnicos. Decisões políticas produzem resultados políticos e que vamos precisar de muito trabalho técnico e político para fazer prosperar o país em 2017.

Gostaria com isso de desejar a todos um feliz e saudável ano de 2017, este é um ano promissor.

Basílio Muhate

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7 thoughts on “2017: o ano de uma nova caminhada em Moçambique?

  1. Messias says:

    Obrigado por seu artigo optimista. O optimismo paga melhor do que o pessimismo. So senti que o artigo prometia muito detalhe mas terminou abruptamente! Eu e’ que criei expectativas que nao estavam no seu plano do texto.

    Liked by 1 person

    • Concordo caro Messias, efectivamente o objectivo não era entrar no detalhe das previsões mas sim trazer o lado otimista de um 2017 mais efectivo para os Moçambicanos. Obviamente que também temos ameaças dentro destas oportunidades que se nos são apresentadas.
      Obrigado por ter visitado e lido o texto.

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  2. José says:

    Artigo bastante pragmático, contudo, notar-se ausência de mais indicadores macroeconómicos , que requerem um profunda reflexão e análise para elucidar a sociedade e esfera empresarial ,que por vezes deturpa ou confunde os termos técnicos levando a uma errada análise da real situação do país e sugestão de medidas macro e macroeconómicas, para ajudar o pais a sair desta situação.

    Esfera política apenas uma observação, optaria pelo termos liderança ou inves de direcção do presidente Filipe Nyusi.

    Quanto às TICS penso que a pressão de controlo de informação erradas delimitadas devia ser mais interventivo ao nível do Estado como acontece com a China ,Rússia,EUA e outros criança medidas e mecanismos de controlo junto dos gigantes tecnológicos daí a necessidade e regulamentação de leis apropriadas para o efeito.

    De resto esperemos que seja o primeiro de muitos artigos com a mesma temática.

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    • Caro José

      Agradeço o seu comentário.
      Efectivamente o texto é aberto e podia trazer mais indicadores macroeconómicos. a sociedade e a classe empresarial Moçambicana necessitam continuamente de ser elucidados sobre materias económicas e financeiras inclusivé. Ainda temos o ano para discutirmos na profundidade os assuntos a medida em que eles vão acontecendo.

      Sobre outros assuntos estamos plenamente de acordo José.

      Obrigado

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  3. Respeito Chirrinze says:

    Gostei do artigo e das premissas nele lançados. Até achei óptimo e não se esmerar muito nos detalhes. É assim uma profecia, é assim um sonho. O resto cabe a cada um reflectir, pensar, aprofundar, pesquisar e, por ain em diante. O certo é que os dados estão lançados e, pelos 12 dias deste 2017, parece-me que o prognóstico seja certo. Torçamos os dedos para que tudo se concretize. afinal é o que todos almejamos. Paz, progresso económico, maior fluidez de comunicação e harmonia social. Viva o 2017 assim sonhado.

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  4. Pingback: Qual é a sua avaliação dos primeiros 6 meses do ano 2017 em Moçambique | Basílio Muhate

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