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CARTA DE UM COMBATENTE

Mãe, eu tenho uma espingarda de ferro! 0 teu filho,

Aquele a quem um dia tu viste

acorrentarem

(e choraste,

como se as correntes prendessem e ferissem

as tuas mãos e os teus pés) —

0 teu filho já é livre, mãe!

0 teu filho tem uma espingarda de ferro.

A minha espingarda

vai quebrar todas as correntes,

vai abrir todas as prisões,

vai matar todos os tiranos,

vai restituir a terra ao nosso povo.

Mãe, é belo lutar pela liberdade!

Há uma mensagem de justiça em cada bala que disparo, Há sonhos antigos que acordam como pássaros.

Nas horas de combate, na frente de batalha A tua imagem próxima desce sobre mim.

E por ti também que eu luto, mãe! Para que não haja lágrimas nos teus olhos.

JORGE REBELO

Data de nascimento: 6 de Julho de 1936

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APELO

Camarada, companheiro, combatente,

É rica e bela a herança que deixaste:

Homens e mulheres irmanados numa causa justa,

A terra livre que as nossas mãos fecundam,

A lenda viva dos libertadores da pátria.

Tudo isto nos legaste, fruto das longas marchas,

Da unidade com o povo, da tua arte

e saber profundos.

Ah, e a Mensagem: mensagem de luta e paz,

De entrega total, de justiça, de igualdade,

De denúncia e combate aos que se vendem.

 

Porque cresceste no fogo das batalhas,

Alheio às intrigas dos palácios,

A tua alma é livre. Reside aqui

A tua grande força.

É certo: já não és a força justiceira

Que fazia mover a terra

E tremer o inimigo.

Mas és ainda a esperança,

A inspiração e a bandeira.

 

Camarada, no novo tempo que emerge

Em que os abusos são regra, e os outros

Se conformam ou pactuam,

Tens tu de novo que erguer-te

E prosseguir a missão.

E armado da tua crença,

Do eterno amor pela pátria,

Ao apelo do povo dizeres “Basta”! e destroncares

Aqueles que hoje, agora, impunemente

São os novos inimigos:

Os chefes sem rosto que traficam o poder,

Os mandantes do crime que planeiam na penumbra,

Os donos da droga que viciam os teus filhos,

Os chefes venais cobradores de comissões

(“quinze por cento p’ra mim, ou não assino”),

Os que te instam a apertar o cinto

quando os seus ventres engordam,

Os juízes corruptos que ilibam a quem mais paga,

Os que vendem a pátria

A quem mais paga.

 

Camarada, no novo tempo sem lei

Tens tu de novo que erguer-te

E prosseguir a missão.

 

Jorge Rebelo

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40 ANOS DA OJM

Vai o meu reconhecimento à Organização da Juventude Moçambicana (OJM), fundada a 29 de Novembro de 1977, que celebra hoje o seu quadragésimo aniversário.

Tive bons e maus momentos ao longo da minha militância na OJM, tive a oportunidade de participar em actividades no bairro, na escola, e também pude emprestar a minha contribuição ao mais alto nível da OJM, e em todos os casos aprendi a auto-superação, a persistência, a disciplina, o trabalho em equipe, a organização e planificação do trabalho, e também a lidar com vários tipos de comportamentos e adversidades.

Tive o previlégio com a OJM de Conhecer e conviver com grandes militantes, líderes, desportistas, informais, empresários, politicos, reclusos, artistas, desempregados, professores, enfermeiros, engenheiros dentre outras sensibilidades, ou seja, de conviver com a real Juventude Moçambicana em vários pontos do País e perceber melhor os seus desafios.

40 anos depois a OJM deve intensificar a sua missão de educação patriótica e de organizar os jovens moçambicanos, bem como a de ser actor de consolidação da inclusão e da Unidade Nacional no seio dos jovens.

Bem haja OJM

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Qual é a sua avaliação dos primeiros 6 meses do ano 2017 em Moçambique

No principio do ano escrevi aqui sobre os meus prognósticos relativamente ao ano 2017, tendo considerado que era o ano da nova caminhada em Moçambique. Passados 6 meses , gostaria de contar com a sua avaliação, por isso vale a pena rever o texto para aferir os desenvolvimentos nos campos político e econômico que se verificam e continuarmos a projectar o ano 2017, sem descurar da conjuntura política e econômica regional e internacional que continuam favoráveis para o nosso país, pese embora persistam desafios.

Sem sombra de dúvidas que continua visível a demonstração, a nível pessoal, por parte do Presidente da República, Filipe Nyusi, do seu assinalável engajamento em questões sensíveis do país e na diplomacia internacional, tanto no campo político assim como econômico, no entanto vamos o público é quem melhor avalia.

Que aspectos positivos e negativos podem se destacar até ao momento nos seguintes campos :

  • Alcance da Paz efectiva;
  • Desenvolvimento da agricultura;
  • Impacto das redes sociais na governação;
  • Preparação do 11 Congresso da FRELIMO

Basílio Muhate

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Cooperação China-Africa vista pela juventude Africana *

* Edmundo Galiza Matos Junior, intervenção em representação de África na abertura do Primeiro Festival da Juventude Asia-Africa, Beijing

Distintos dirigentes da República Popular da China
Caros jovens asiáticos, africanos e nossos hospedeiros da China
Minhas senhoras e meus senhores

1. Cabe-nos a honra de proceder a um discurso em representação de todos os jovens africanos, convidados pelo nosso país amigo e irmão, a China e fazemos com bastante agrado, mas sobretudo com muita esperança de aqui renovarmos os nossos laços de irmandade;

2. Começo por fazer um enquadramento histórico, político e social do nosso maravilhoso continente, África;

3. O Norte da África é a região mais antiga do mundo. A civilização egípcia floresceu e inter-relacionou-se com as demais áreas culturais do mundo mediterrâneo;

4. Durante o século quinze, exploradores europeus de Portugal, da Espanha, da França, da Inglaterra e dos Países Baixos chegaram a África e iniciaram o comércio de escravos;

5. Os nossos antepassados foram usados para desenvolver o ocidente como mão-de-obra barata, como escravos. As primeiras viagens científicas a Africa realizadas por Charles-Jacques Poncet na Abissínia, em 1700; James Bruce em 1770, procurando o local onde nasce o Nilo; Friedrich Konrad Hornermann viajando no deserto da Líbia num camelo, em 1798; Henry Morton Stanley e David Livingstone na bacia do Congo, em 1879 abriram as portas para a divisão de um continente que destruiu e modificou as estruturas sociais, económicas, políticas e religiosas da maioria do território da África negra;

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